Empreendedorismo

Os pequenos negócios e a crise econômica

Artigo do gerente de Políticas Públicas do Sebrae Rio, Tito Ryff.

O Brasil vive, desde 2015, a recessão econômica mais aguda e prolongada de toda a sua história. São inúmeras as razões que explicam a emergência e a duração dessa crise. Mas não é este o tema que abordaremos. Neste texto, procuraremos expor a importância social e econômica das micro e pequenas empresas ou, mais amplamente, dos pequenos negócios em geral. Papel, este, que adquire ainda maior relevância em épocas de crise como a que atinge, no momento, a economia brasileira. Nas ocasiões em que os grandes projetos de investimento cessam, ou escasseiam, os pequenos negócios funcionam não só como amortecedor, ou mitigador, dos efeitos da crise, mas, também, como valiosa fonte alternativa de oportunidades de geração de emprego e renda.    

No Brasil, as micro e pequenas empresas empregam 55% dos trabalhadores com carteira assinada e pagam 44% do total de salários. Se somarmos a esses números os mais de 8 milhões de microempreendedores individuais (MEIs), teremos uma noção da grande importância dos pequenos negócios na economia. Importância que cresce nos momentos de crise, quando o empreendedor, por necessidade ou por vocação, busca a oportunidade de manter a renda ou de utilizar, em um negócio próprio, conhecimentos e habilidades acumulados ao longo da vida profissional. Mas as MPEs não estão imunes a crises. Na realidade, mesmo em tempos de prosperidade, pequenos negócios nascem e morrem todo dia, pois o mundo das pequenas empresas é muito mais competitivo e seletivo do que o dos grandes conglomerados empresariais. No âmago desse processo “darwiniano”, que cria e destrói empresas, as MPEs cumprem a função de elemento saneador do ambiente econômico e, também, o de amálgama das grandes cadeias produtivas. Constantemente, pequenas empresas ingressam no mercado com produtos inovadores ou soluções criativas que aumentam a eficiência da economia como um todo ou contribuem para viabilizar grandes empreendimentos com o fornecimento de seus produtos ou serviços. 

Mas, nesses tempos caracterizados pela aceleração do processo de geração de inovações tecnológicas e pela difusão, quase instantânea, do conhecimento, as MPEs são, também, muitas vezes, a “porta de entrada” pela qual ingressam, na economia, as inovações que estão revolucionando os mercados, os hábitos de consumo e o comportamento de consumidores e cidadãos. Startups criadas por um punhado de pessoas, com parco capital inicial, funcionando em locais improvisados, podem transformar-se, em poucos anos, em grandes negócios. 

São essas, dentre muitas outras, as razões que fazem com que a missão do Sebrae, de estimular e apoiar a formação e o desenvolvimento de pequenos negócios, se revista de enorme importância econômica e social.